quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Pedaço de uma fragata




O rio arrastou um vestígio da sua história:
uma fragata
abandonada à deriva…
Recordam os que nela embarcaram
e o seu nome batizaram.

Mas o tempo apoderou-se da sua vida.

Fragata esquecida pelo tempo que,
outrora,
transportava os velhinhos
ondeando sobre o rio que todos embalamos,
um rio que nos toca,
que tudo o que nos oferece abraçamos.

Fragata do rio abandonada:
como poderemos resgatar o teu brio perdido,
cujas águas cristalinas ondulavam o teu ser
e que, num ápice, viu-te desaparecer?

E o tempo apoderou-se da tua vida.

Lobrigamos uma réstia do que foste:
a tua madeira apenas restou,
e os corações salgados que conseguiste,
noutros tempos, enternecer,
ancoraram, em ti,
um pedacinho do seu ser.

E a fragata jaz, ali, esquecida.

Cristina Pinto, 10-12-2014

Fotografia in:http://erhos.cadernovirtual.net/?page_id=2764

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